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Buscar o Senhor para obter sabedoria

Conselho de saúde das mulheres

Antigo tabernáculo, Praça do Templo, Salt Lake City, Território de Utah

28 de agosto de 2014


Phoebe Ann Morton (1786–1854) nasceu em uma família de pais da classe operária em Guilford, Massachusetts, e se casou aos 16 anos com James Angell, em Providence, Rhode Island. O casal teve dez filhos, sendo que quatro faleceram ainda pequenos.1 Após o rompimento do casamento triste de Phoebe, seu filho Truman O. Angell recordou que ela tinha “sete filhos para sustentar e nada além de suas próprias mãos para ajudá-la a ganhar o sustento da família”. Ele expressou compaixão pelos “sofrimentos da minha mãe como consequência da conduta de meu pai em relação a ela. Suas provações foram verdadeiramente grandes e minha mãe quase foi subjugada por elas”.2

Phoebe Angell foi batizada em janeiro de 1833, enquanto vivia em Nova York.3 Essa mãe que criava os filhos sozinha foi morar com a família em Kirtland, Ohio, entre 1834 e 1835; em 1838, mudou-se para Far West, Missouri.4 Como parteira em Far West, ela ajudou Mary Fielding Smith a dar à luz Joseph F. Smith e cuidou de Mary e de Joseph enquanto Hyrum Smith, o marido e pai, estava preso em Liberty, Missouri.5 Em 14 de abril de 1842, ela se filiou à Sociedade de Socorro de Nauvoo. Por ter pouco dinheiro e poucos recursos para doar, Phoebe Angell se ofereceu para “consertar roupas velhas, quando necessário, quando não fosse possível obter tecido novo”.6 Depois que chegou ao Vale do Lago Salgado, em 1848, ela trabalhou como parteira e enfermeira, visitando e cuidando constantemente de mulheres doentes. No final da vida, em 1854, quando sua própria saúde estava debilitada, outras pessoas ajudaram a cuidar dela.7

Muitas mulheres nos séculos 18 e 19, inclusive Phoebe Angell, praticavam a medicina “social”; elas tratavam doenças comuns, enfermidades e lesões com seus próprios medicamentos feitos em casa, incluindo pomadas, xaropes, chás, unguentos, cataplasmas e curativos.8 Na época em que a medicina moderna alcançou altas taxas de sucesso, muitas pessoas combinavam o então popular uso de remédios naturais e ervas com a fé e a oração fervorosa e, geralmente, não confiavam nos médicos e em seus remédios sem comprovação efetiva.9 As mulheres mórmons, como suas contemporâneas americanas, desenvolveram uma rede informal de saúde dentro de suas comunidades em Nauvoo, Illinois, provendo cuidados médicos para si mesmas, para a família e para os vizinhos. Os líderes da Igreja pediram que algumas mulheres atuassem como parteiras e enfermeiras, sendo algumas designadas por imposição de mãos para essas responsabilidades.10 A Sociedade de Socorro de Nauvoo coordenava o serviço prestado aos doentes e aos pobres e, mesmo depois da dissolução da Sociedade de Socorro de Nauvoo, em 1845, enquanto cruzavam as planícies, elas ainda se reuniam informalmente para ajudar e cuidar umas das outras.11

Willard Richards, um apóstolo e médico naturalista, organizou o Conselho de Saúde em 1849, em Salt Lake City, para cuidar dos problemas de saúde que os santos estavam enfrentando em suas novas e difíceis condições de vida.12 As mulheres participavam do conselho e criaram uma seção para treinar parteiras.13 Em 1852, Phoebe Angell era a presidente do Conselho de Saúde das Mulheres; Patty Sessions e Susannah Liptrot Richards eram suas conselheiras. Elas se reuniam todas as semanas e apresentavam palestras ou compartilhavam experiências pessoais e receitas de remédios naturais. Às vezes, elas também falavam em línguas e davam bênçãos, uma prática comum entre as mulheres santos dos últimos dias do século 19.14

Na reunião do dia 14 de agosto de 1852, Phoebe Angell falou sobre a importância de combinar a fé com o conhecimento prático e com a experiência em tratar os doentes.

A irmã Angell falou, exortando o conselho a não confiar somente no conhecimento obtido nos livros e nas ervas, mas deveriam buscar o Senhor para obter sabedoria.15 Ela fez referência a uma circunstância em Nauvoo, quando muitas pessoas estavam sofrendo com calafrios e febre. Ela pediu ao Senhor que lhe mostrasse o que fazer para tratar corretamente aquelas pessoas. À noite, como se uma voz estivesse lhe falando, ela ouviu a seguinte receita:16 “Pegue tal porção de eupatório, um punhado de lobélia; coloque meio litro de vinagre e deixe descansar durante a noite; administre ao doente quando o calafrio começar, uma colher de sopa cheia a cada hora”.17 Ela prestou testemunho do grande bem que essa receita fez. Naquele verão, ela usou 35 litros de eupatório.18